Complexidade encarece cada vez mais operação de cash & carry

Isso acontece principalmente pelas mudanças implementadas para atender o consumidor final, que migrou para o formato

 

O aumento da complexidade na operação para atender o consumidor final é um dos maiores desafios do cash & carry. Em 2015 e 2016, segundo pesquisas, 12 milhões de famílias migraram para o formato devido à sua proposta de preço baixo. Entre as iniciativas para atender esse público, está a ampliação do sortimento e, principalmente, da oferta de perecíveis. Segundo consultores, há casos de lojas que já trabalham com, pelo menos, uma versão de maior valor em diversas categorias de produtos.

Tudo isso gera aumento de despesas. Para contrabalançar essa alta, as empresas do segmento têm adotado algumas medidas. Na bandeira Assaí, que pertence ao GPA, em vez de ar-condicionado – que agrada os clientes de alta renda que frequentam as lojas – são utilizados climatizadores. “A manutenção desse equipamento custa 1/10 do ar-condicionado, o que ajuda a manter o nível de despesas”, explica Belmiro Gomes, presidente do Assaí. O climatizador também é mais econômico porque resfria a água – que vem do sistema de incêndio – durante a madrugada, quando a energia custa menos. “É essa água que vai ‘gelar’ a loja durante o dia”, acrescenta o executivo.

De acordo com Gomes, é muito importante ficar atento ao custo operacional do formato. “É a partir dele que se consegue chegar ao preço final, que, no nosso caso, é de 12% a 15% inferior a um supermercado tradicional”, afirma. Outro fator que ajuda o atacarejo a ter despesas menores é o fato de não trabalhar com seções como padaria, peixaria e açougue. “O custo fixo desses setores é muito alto”, diz.

Economia futura
No início deste ano, o Assaí iniciou um projeto para gerar a própria energia, realizado em parceria com a GreenYellow, desenvolvedora de soluções de eficiência nessa área. Duas lojas da bandeira – a de Goiânia (GO) e a de Várzea Grande (MT) –, contam com uma usina fotovoltaica. Consiste em instalar sobre os telhados das lojas placas responsáveis pela geração de energia solar. No caso da filial de Goiânia, a produção atinge 100% da energia utilizada no horário de pico e 40% da média usada pela unidade.

“Essa tecnologia não é barata. Deve gerar vantagem a longo prazo, mas precisamos expandir os projetos para ter escala”, afirma o presidente do Assaí. Ele explica que a empresa está ganhando know how, principalmente com a filial de Goiânia. “A unidade tem placas que geram 920 quilowatts no horário de pico. Isso alimentaria 5.500 TVs de 40 polegadas por cinco horas ao dia”, afirma.

Atualmente, há 16 projetos em estudo. Mas a implantação depende de alguns fatores, como a tarifa local de energia, a irradiação solar e até a inclinação do telhado das lojas existentes. “É mais fácil implementar a planta fotovoltaica numa loja nova, pois já contemplamos o projeto na construção, o que reduz o custo”, explica Gomes. Ele lembra ainda que as filiais do Assaí contam com outras iniciativas de economia, como utilização de LED e ilhas de refrigeração fechadas, que consomem 40% menos energia.

Fonte: http://www.sm.com.br